Chris Bicalho
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27 JAN
11:53 AM

TOSCANA, QUESTÃO DE TEMPO

Todos os caminhos levam a Roma – e metade deles passa pela Toscana. É cada estradinha que corta o pedaço… fácil de se perder e se deixar levar pelo calor da hora.  Andare via pela estrada afora, nem um minuto a mais naquela cidade que damos por visto em uma tarde – pode parecer eternidade. Timing é tudo na vida, certo? Planejamos um roteiro na medida para você não perder seu precioso tempo com o que não importa. Andiamo via!

E mais: traçamos dia, hora, local e razão para fazer valer ao máximo sua temporada em solo toscano: villas, vinícolas, castelos, montes e igrejas. A partir de Firenze, com posto avançado em Siena, nosso passo a passo de como chegar, até quando ficar, comer e beber, comprar, o que ver e onde comer. Times is money. Ah, sim, pé na estrada sempre pela manhã. Para aproveitar o dia, a luz, a vida… São 390 quilômetros de estrada no total, bem divididos em uma semana para você ir parando de villa em villa, vinícolas, castelos, montes e igrejas. Demais!

ROTA 1: Firenze – San Gimignano – Volterra – Monteriggioni – Siena. Percurso total: 144 quilômetros

San Gimignano

O que ver: o centro histórico, medieval total, com suas torres do século 16. Cenário do delicioso “Chá com Mussolini”, de Franco Zeffireli.

Quanto tempo na cidade: duas horinhas e pronto. Aperte os cintos e seguimos viagem.

Volterra

O que ver: antes de qualquer coisa, a vista em si. Do alto do Vale Cecina tem-se o mais incrível panorama da Toscana, com seus vilarejos etruscos e romanos + influências renascentistas por todos os lados. Imperdível uma visita à Pinacoteca e ao Museu de Arte Sacra.

Quanto tempo: duas horas + almoço sem pressa. Onde comer: Sala Dioniso. Cozinha toscana. Só orgânicos! (Via Porta all’Arco 19; fone +39 0588 81531). Para espresso + gelatto de sobremesa: L’Incontro (Via Matteotti 18; fone +39 0588 80500).

Monteriggioni

Com menos de oito mil habitantes, Monteriggioni passaria despercebida, não fosse o fato de ser totalmente fortificada até hoje. No alto de uma montanha, ao norte de Siena, o vilarejo ainda conserva as fortificações construídas no século XIII e descritas por Dante Alighieri em sua “Divina Comédia”.

Quanto tempo: uma hora.

ROTA 2: Siena – Montalcino – Pienza – Montepulciano – Siena. Percurso total: 147 quilômetros

Montalcino

O que ver: aquela ideia de Toscana que povoa nosso imaginário, sabe? Casinhas terracota, de tijolos, campos com fenos redondos, ciprestes margeando as estradas e, sim, vinícolas. Muitas delas! Todas no alto das colinas, de onde se tem incrível panorama dos vinhedos de Asso, Arbia e Ombrone. In loco, obrigatório degustar safras vencedoras de Brunello e Rosso di Montalcino. Se você estiver no volante, esqueça. Deixe para beber quando voltar a Siena. E antes de ir embora, visite a abadia de Sant’Antimo, construída no século 9 e joia maior do estilo romanesco.

Quanto tempo: a tarde toda. Almoce por lá.

Onde comer: Taverna dei Barbi. Típico restaurante com pratos elaborados só com produtos da fazenda dos donos. Fresquíssimo, tudo delicioso (Localita Podernovi 170; fone + 39 0577 841 111). Para degustação de vinhos: Enoteca La Fortezza. Para acompanhar seu Brunello, experimente o salame de javali e o pecorino feito ali mesmo.

Se não der tempo de visitar todos os vinhedos da região, procure pelos rótulos aqui que eles as enviam para o seu hotel (Piazzale Fortezza; fone +39 0577 849 211).

Pienza

O que ver: a praça principal e o Duomo do vilarejo. Projetada a pedido do Papa Pio II, em 1460, sem dúvida uma das mais lindas construções renascentistas da Itália.

Quanto tempo na cidade: duas horas. Antes de partir, paradinha obrigatória na Osteria Sette di Vino para experimentar um sem-fim de variações do queijo pecorino. (Piazza di Spagna; fone +39 0578 749 092. Não abre as quartas)

Montepulciano

O que ver: as centenas de palazzo renascentistas e as igrejas da Piazza Grande e, ecco!, as vinícolas da cidade. Não vá embora sem antes degustar o festejadíssimo Vino Nobile di Montepulciano.

ROTA 3: Siena – Chianti – Firenze. Percurso total: 99 quilômetros

O que ver: que tal retornar a Firenze pelo mais incrível roteiro de vinhos da Itália? As cidades que compreendem a Liga di Chianti guardam até hoje maravilhas da Idade Média, caminhos e túneis construídos no século 15 que levam aos vilarejos de Gaiole, Radda, Castellina e Greve. A estrada é um capítulo à parte, um vista de tirar o fôlego com vales repletos de videiras e oliveiras. As fattorie produtoras do Chianti geralmente estão abertas a visitação e vendas. Algumas oferecem até hospedagem.

Parada estratégica: Castellina in Chianti. Perca-se pela Via Ferruccio e, sem culpa, se jogue nas cantinas especializadas em presuntos, salames e queijos. Os pecorinos são o carro-chefe, palmas para o pecorino al tartufo . A praça da igreja San Salvatore é a entrada de um dos pontos altos da cidade: a Via delle Volte, um túnel de pedra, entre os muros que protegem a cidade e o centro, onde há lojas, galerias e restaurantes.

Quanto tempo: três horas + almoço. Onde comer: Antica Trattoria La Torre (Piazza Del Comune; fone +39 0577 740 236). Prove: ravioli de ricota fresca e espinafre com tartufo negro. Simples e reconfortante.

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Posted by: Chris Bicalho
04 JUL
08:27 AM

PACE E SERENITÀ

A maré agora é outra, a fuga é essa: riviera toscana. Pouca gente vai, e quem vai não quer ser visto. Simples e serena, Porto Ercole é quase um esconderijo secreto, uma vila incrustadinha nos rochedos da península de Monte Argentario, a 150 quilômetro de Firenze.

Se não chegar de barco, saiba que o caminho que leva até as águas da comune é dos mais lindos da Itália. Siga a “Strada Panoramica” e depois me diz o que achou. Al mare, ah, bem, é aquele azul do Tirreno, infinito blu para tirar seu fôlego por alguns minutos – aproveite esse momento para mergulhar, já que você não vai respirar…

Porto Ercole não é chi-chi como Porto Cervo, mas tem charme de sobra e restaurantes demais, um melhor que o outro. No menu, frutos do mar combinados com massas feitas ali mesmo, frescas como o vento, perfumadas pelo sol da Toscana, capaz de aquecer a mais deprê das criaturas. Pense em bistecca di ciangiale, crostini com pasta de trufas, bresaola com figos e mais peixes, peixes e mais peixes. Navegar é preciso, e brindar à dolce vita também. Equilibre-se, pois, num copo de campari com soda e desembarque nas ilhas de Gilio e Gianutri sem hora para voltar. Mergulhe, nade, agradeça por você estar ali, a duas braçadas do paraíso. Delícia, o Hotel Il Pelicano, reduto tradicionalíssimo da boemia intelectual dos anos 60 e 70 que recentemente ganhou livro de fotografias superbe editado pela Assouline. Amazon já.

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Posted by: Chris Bicalho
19 MAI
07:55 PM

TOSCANA NÍVEL AVANÇADO

Quem já deu por visto Firenze, Pisa, Siena, Arezzo (e Montepulciano, claro), quem entendeu o fundamento Toscana básica na lua-de-mel, com visitas a vinícolas e vilarejos belissimi, chegou a hora de virar a página e começar um novo capítulo da história, igualmente romântica e com final feliz. Afinal, estamos sob o sol da Toscana, como no filme, em plena primavera, inegavelmente a melhor época para subir e descer seus montes perfumados pelos ciprestes que contornam villas terracota em contraste com um céu azul ‘Gio Ponti’. Nel blu, dipinto di blu…

Novidade por ali é a inauguração de dois hotéis que, ao mesmo tempo que mantém a marca registrada da região – aquele clima de nobreza renascentista –, fogem dos clichês que fizeram a fama do lugar. Sim, os novos endereços estão em construções seculares, rodeados de florestas e campos de parreiras, mas existe algo de fresco no ar. Digamos que a turma do Castel Monastero (fotos acima) e Il Salviatino (abaixo) tenha limpado o ambiente, tirado os excessos da vecchia Toscana.



O décor foi reordenado com elementos contemporâneos (misturados com antiques, sempre) e os espaços estão mais livres para, digamos, evoluirmos sem achar que estamos na era dos Medici. Um alívio imediato, um respiro mais do que necessário em tempos de repulsa ao exagero e a opulência. E os serviços seguem a moda post-modern, com uma pitada de rotina real – no Salviatino, por exemplo, você é recebido por um “service ambassador”, encarregado de satisfazer todos os seus desejos mundanos –, SPA e doses de gastronomia tendência: o top chef Gordon Ramsey, aquele do reality show no qual ressuscita restaurantes à beira do abismo, assina o cardápio do Monastero. Tanto lá quanto acolá, novidades a menos de uma hora de Florença. Alugue um carro e andare via! Só não desvie da rota, nada de pernoitar em vilarejo com casa de pedrinhas. Foco, gente, foco.

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Posted by: Chris Bicalho