Chris Bicalho
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06 JAN
12:03 PM

ANO DO DRAGÃO

Leitura obrigatória da temporada, o ótimo best-seller “Sobre a China”, de Henry Kissinger. Íntima perspectiva histórica sobre a política internacional mandarim escrita pelo secretário de estado de Nixon e Ford dá o panorama exato do poder de fogo do país que este ano deve virar o mundo de cabeça para baixo – com a crise na Europa e a economia americana naquele ritmo animadorrrr cientistas e oráculos batem no peito e dizem: sim, este é o ano da China.

Os números levam a crer que sim. E os astros também, pois 2012 será regido pelo dragão de água – o mais forte e poderoso do horóscopo chinês e, não à toa, o signo que rege o Império do “Tudo Sob o Céu” (como eles se intitulam, uma coisa pra lá de autocentrada, não?). Em pouco mais de 500 páginas, Kissinger nos apresenta a nova dona do pedaço, examinando episódios-chave da política externa ding-ding-lin, das milenares dinastias aos dias de hoje. Tudo para que possamos saber (e tentar entender) como funciona a cabeça da turma que passa a ditar as regras a partir de agora. Vou te dizer que, pelo que li até agora, desconfio que lá no futuro vai ter gente sentindo saudades dos tempos em que os Estados Unidos davam as cartas.

E para quem quiser ver de perto a força da maior potência do século 21 é bom correr porque já não há quase passagens para circular pelo país – começa domingo, oficialmente, a alta temporada de viagens por ocasião do Ano Novo do Dragão, com estimativas de mais de 3,16 bilhões de deslocamentos. Mas ainda há tempo, os roteiros estão irresistíveis: de Shanghai a Beijing, Xian e Guangzhou, passando por Datong, Guilin e Yangshuo. Quer? Eu quero. E querer, como reza a cartilha han, é poder. E de poder eles entendem.

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Posted by: Chris Bicalho
23 MAI
04:00 AM

CHINA IN BOX


Na cidade proibida mais liberal do Oriente, onde qualquer “desvio de conduta” deve acontecer no underground e na devida surdina, um bar fechado para chineses comuns (leia-se desafortunados) e aberto a todo tipo de estrangeiros é o ponto de encontro dos ocidentais de passagem por Shanghai. The Wine Residence (asc-wines.com) é um templo de adoração ao vinho na terra do chá.

Mix de bar com club, oferece em sua carta mais de dois mil rótulos das melhores safras do mundo para uma clientela formada por homens (e mulheres) de negócios com saudades de casa e da pessoa amada. Ali, todos são solteiros de ocasião, um perigo. Depois da segunda garrafa então…

Não existe esporte mais radical do que se jogar na exótica/bizarra culinária chinesa. Aventura digna de um expedicionário é sentar-se à mesa do Whampoa Club (threeonthebund.com), o mais concorrido restaurante do centro financeiro de Pudong, onde é servido o melhor da cozinha tradicional xangainesa.

No cardápio? Raiz de flor de lótus frita com água viva no limão ou, para você não sair correndo, wontons (pastéis) de porco com legumes familiares. Para beber, prove o vinho local, produzido em Shao Xing, ou suco de osamanthus servido junto com a fatura. Quem recusar paga a conta.

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Posted by: Chris Bicalho
19 JUL
12:39 PM

MADE IN CHINA

Não está nas luzes dos arranha-céus da Bund e nem nos restaurantes fusion a prova viva de que o velho oriente e o moderno ocidente se cruzaram nas ruas da China. No espaço transacional entre o passado e o presente, é a cena artística contemporânea produzida em Beijing e Shanghai que parece ditar o futuro de uma cultura, para dizer o mínimo, multidisciplinar. E de olhos bem abertos para criar.

Peças-chave do jogo artsy mundial, as duas cidades, mais do que nunca, tornaram-se paradas obrigatórias para colecionadores, dealers, curadores e gente que não pensa em comprar, apenas contemplar uma obra. De olho no mercado que só faz crescer, art experts se associaram as agências de lifestyle para criar um tour pelos ateliês de artistas promissores, museus, feiras de arte, antiquários, construções históricas e galerias mais expressivas das duas mais importantes metrópoles chinesas.

São 10 dias de viagem, a começar em Shanghai. No programa, uma imersão completa em sua nova Art District, com tour guiado pelo MOCA (Museum of  Contemporary Art), Shanghai Museum e visitas a estúdios de pintores e escultores de Moganshan, mais a ShContemporary 10 Art Fair, que se realiza no belíssimo jardim de Yuyuan, além, claro, da Expo 2010 e seus pavilhões ultra qualquer coisa.

Já em Pequim a pegada é mais tradicional, uma verdadeira aula de história durante a caminhada pela Cidade Proibida, Praça Tian’an e arredores. O toque de futurismo fica para a última etapa da viagem. A melhor parte, diga-se: um dia inteiro no espetacular Ullens Center, onde está a maior coleção privada de arte contemporânea da China. In loco, a certeza de que o amanhã para eles é agora.

O tour acontece de 7 a 18 de setembro. O valor por pessoa é de 8 mil dólares, com hotéis, refeições, voos internos e entradas para todos os programas inclusos. Se vale a pena? É negócio da China!

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Posted by: Chris Bicalho
30 ABR
05:03 PM

SHANGHAI SÉCULO 23

Começa amanhã a Expo Shanghai 2010. Durante 184 dias, o mundo (mais uma vez) vai voltar suas atenções para a China e observar o que a próxima potência number 1 preparou para este encontro universal, que vai discutir propostas para enfrentar a crise ambiental.

Políticas à parte – até porque as “chefias” de estado nunca chegam a lugar nenhum mesmo, vide Copenhagen –, o barato de estar in loco é ver de perto o que cada um dos 190 países aprontou em seus pavilhões, um mais hi tech que o outro.


No ar, muito mais que uma grande “bienal” de arquitetura, mas um seriíssimo jogo de poder e, claro, fogueira de vaidades das nações participantes: afinal, quem é mais contemporâneo? Quem vai ditar o futuro? Quem vai entrar para a história? Logo de cara, a resposta: China. De longe, literalmente, o pavilhão mais engenhoso. Gigantesca versão post-modern de um estilo de construção de dois mil anos atrás, ele reina vermelho e absoluto entre todos os outros.


Mas se engana quem pensou que os concorrentes deixariam a desejar, muito pelo contrário. Reino Unido e Espanha, por exemplo, projetaram belíssimos pavilhões, talvez os que mais combinam modernidade e genialidade. Os ingleses ergueram o seu com 60 mil varas de acrílico numa obra que mais parece um ouriço do mar, repare na foto aí de cima.

Já os espanhóis revisitaram as tortuosidades de Frank Gehry – que de castellano não tem nada, mas que projetou o Gugg de Bilbao – e esculpiram sua “tienda” utilizando apenas vime, material 100% made in Spain. O resultado, na imagem acima, ficou a cara deles: surreal e bem humorado.


Se do lado de fora a visão dos pavilhões já é incrível, por dentro é indescritível. Cada país levou para Shanghai o melhor de sua terra, seus símbolos e ritos, personagens e paisagens. No pavilhão da França, por exemplo, o visitante vai até Paris sem sair do lugar: os cheiros dos perfumes, da cozinha e até as águas das fontes da capital francesa serão transportadas para o interior da “cave” futurista armada pelos franceses. E o nosso pavilhão? Está fofo! Todo trançado, foi inspirado no artesanato e na diversidade de culturas e raças. E tem Paulo Coelho de embaixador. Tudo a ver?

Então estamos combinados: Shanghai é o nosso próximo shangri-lá. Preparei uma lista com os melhores hotéis, restaurantes, bares, cafés e lojas da cidade. Vamos?

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Posted by: Chris Bicalho