Chris Bicalho
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25 JUL
02:02 PM

NOVA YORK PARA MENORES

Existe um playground escondido no maior parque de diversões para adultos do mundo. Ou você realmente acha que Nova York é proibida para menores de, sei lá, 12 anos? Que nada, as atrações para as ‘crionças’ pipocam pela cidade inteira, ainda mais em verão pleno, quando todas estão de férias e com aquela disposição, como dizer, invejável capaz de derrubar a gente no primeiro ventinho encanado da Mercer com a Prince.

Melhor da história é que a programação, guardadas as devidas proporções, não chega a ser uma roubada para os mais velhos – sinto que há em Manhattan uma preocupação com a integridade emocional dos “acompanhantes” dos menores. No caso, nós, os pais. Porque ninguém, ninguém merece passar tardes inteiras comendo balas verdes em forma de monstros enquanto seus filhos pulam na piscina de bolas na companhia do animador infantil que não parece gostar muito do que faz, não.

Enfim, NY também é grande para os menores. E, sempre, uma nova surpresa para os maiores. De olho no roteiro pais & filhos da temporada:

ARTE

Material Lab no MoMA Laboratório interativo onde crianças e adultos podem explorar materiais e conhecer técnicas utilizadas pelos grandes artistas plásticos de ontem e de agora, além de criar pequenas obras de arte e reproduzir o que foi visto no acervo do museu. Incrível a experiência de assinar um quadro utilizando um programa de pintura digital da Microsoft. Até 29 de agosto.

National History Museum Duas atrações imperdíveis no museu. Uma delas, a Discovery Room, sala especial onde arqueólogos e paleontólogos acompanham os pequenos numa aventura real e virtual pela história da humanidade. Com eles, é possível cavar e ‘descobrir’ fósseis da era dos dinossauros, caçar animais nos baobás africanos e explorar o universo a bordo de um mega telescópio a postos no terraço. A outra é, para dizer o mínimo, excitante. Imagine só passar uma noite no museu? Inteira! Sim, a turma dorme lá mesmo, mas antes faz um tour expedicionário por todas as alas, passam por esqueletos de tiranossauros e ouvem barulhos de bichos vindos dos alto-falantes… A programação faz parte do calendário efetivo do museu.

Storm King A uma hora de Nova York, aos pés do Hudson Valley, esconde-se um dos maiores e mais aclamados parques de esculturas do mundo. São mais de 100 peças espalhadas por 500 acres (ai, faz a conversão pra gente?), um jardim das delícias para momentos em família. Sem hora para ir embora, explorando obras de uma turma que ajudou a contar a história da arte contemporânea. Tem Calder, Bourgeois, Bertoia, Yayoi Kusama, Richard Serra, Stoltz e grande elenco. Imperdível, ainda mais durante o verão. Realmente uma experiência para dividir. stormking.org

Six Flags Em New Jersey, o parque de diversões das super montanhas-russas, as mais radicais que se tem notícia. E com aqueles nomes que já dão frio na espinha antes mesmo de entrar no carrinho: Hurricane, Typhoon Level 5, Tornado e por aí vai. São mais de 10 opções, todas com loopings inacreditáveis. Programa categoricamente infantil, mas os adultos se divertem muito mais que elas. Tô zonza até agora…

SHOW

Cirque de Soleil no Radio City Music Hall Em cartaz, Zarkana, a nova ópera rock da companhia canadense. Acrobacias inéditas, elenco mais twisted do que nunca, centenas de números musicais contando a história de Zarka, um mágico que tenta recuperar seus poderes perdidos no passado. Até 3 de outubro. Depois a trupe segue para Madrid.

Aulas de dança no Capezio Center Solte suas feras por lá, para que elas possam abrir as asas enquanto você voa pela cidade. Na escola de dança mais incrível de NY, aulas de hip hop para deixar a mais hiperativa das crianças com a língua no chão! Ainda no menu, jazz e salsa, sapateado, dança africana e ballet. Só fica parado quem quer. peridance.com.

COMIDINHAS

Nada de levar seu filho para comer naqueles restaurantes sóbrios demais, see and be seen além da conta. Take it easy, aproveite a hora do almoço para conhecer o melhor da ‘baixa gastronomia’ de NY. Cardápio infantil para experimentar sem culpa nenhuma. Depois a gente resolve no detox.

O melhor burger Toda portinha em Manhattan orgulha-se de dizer que serve em seus domínios o melhor burger do mundo. Difícil mesmo dizer qual deles, de fato, é o number 1. Para facilitar a vida e acabar com a dúvida, vamos eleger o melhor da temporada. E o prêmio vai para o suculentérrimo hamburger da Burger Joint, segredo muito bem guardado nos fundos do hotel Le Parker Meridien, na West com a 56th. E as batatas fritas? Uh-la-la. Siga seu olfato para chegar lá. parkermeridien.com/eat

A melhor pizza O nome já diz tudo: Fabulous Pizza. Mais uma tacada certeira da turma do Serafina, endereço da mais festejada margherita do pedaço. Delícia almoçar no terraço. OK, se você quer pegar mais leve experimente as saladinhas e as massas glúten free. Mas pense com carinho nas pizzas… valem a pena demaisssss. Fica na Madison com a 79th. serafinarestaurant.com

O melhor sorvete Tradição milanesa desde os anos 30, sucesso em NY a partir de então, a pasticceria e confeitaria Sant Ambroeus, que serve o brunch mais cool do Village também oferece, isso sem a menor dúvida, o melhor sorvete da cidade na filial de Uptown. Todos seguindo à risca a receita italiana da cidade de Brunico, artesanais e sensacionais. Corre! Madison, entre 77th e 78th. santambroeus.com

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Posted by: Chris Bicalho
01 NOV
04:09 AM

NAS PARALELAS

Em Nova York, não deixe de conferir duas ótimas exposições que correm por fora das principais programações da temporada artsy na cidade. Uma delas, no MoMA. “New Photography 2010” apresenta o trabalho de quatro artistas, todas mulheres (aliás, corre em Manhattan um manifesto feminista reclamando da falta delas no calendário anual de individuais), fotógrafas de revistas e campanhas que transcenderam o mercado editorial com suas fotos hoje consideradas obras de arte, dignas de museu mesmo. São elas: Roe Ethridge, Elad Lassry, Alex Prager e Amanda Ross-Ho.

Todas operando no limite entre o comercial e o conceitual, o publicitário e o cinematográfico; o que se repara é uma narrativa pictórica em papel com nuances, sombras e cores que parecem saídas de uma tela e não de uma lente. Cliques que definitivamente colocam a fotografia no patamar devido – na altura das grandes manifestações da cena contemporânea.

Outra expô que merece e muito ser conferida está no Guggenheim. “Chaos and Classicism” apresenta, de maneira extraordinária, o renascimento do classicismo na arte francesa, italiana e alemã no período entre guerras, quando a ordem, “Il retour à l’ordre”, era revisitar a estética grega e a opulência do império romano, flertar outra vez com as formas puras e perfeitas de outrora como necessidade vital de reinventar a própria história que o front tratou de apagar. Lado a lado, Picasso e Giorgio de Chirico, Otto Dix, Léger e Sander; obras exibidas pelas primeira vez em solo americano, telas e esculturas que definiram o começo do novecento na Europa e a intenção de reafirmar a supremacia do Velho Mundo no mapa das artes mundiais.

Merece destaque a sala dedicada à estética nazi, com uma pintura pra lá de curiosa onde aparecem quatro mulheres, da “raça ariana”, representando, cada uma, os elementos da natureza. Assinada por Hannah Höche, a obra decorava um dos aposentos da casa de Adolf Hitler. Logo adiante, uma sala exibe trechos de “Olympia”, documentário de Leni Riefenstahl que valorizava justamente a ideia do homem belo e perfeito, puro e, claro, alemão. Tem que ir, tem que ver. Ambas as exposições ficam até janeiro. Vá de manhã.

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Posted by: Chris Bicalho
11 OUT
12:56 AM

PREVIEW DE INVERNO

Mais Nova York na rota. Agora com as novidades artsy que já começam a dar o que falar na cidade. A programação da temporada está imperdível, museus e galerias já esperam a turma de portas abertas para exposições em cartaz a partir de agora, cada uma mais incrível que a outra. A mais aguardada delas, a retrospectiva de Edward Hopper. No ar, preciosidades do artista, suas misteriosas representações realistas da solidão e da cena urbana nova-iorquina dos tempos da grande depressão. Começa dia 28, no charmosíssimo Whitney Museum.

Outra ótima, já em exibição, está no MoMA. Abstract Expressionism New York é maior panorama do expressionismo americano já organizado no mundo. Estão todos lá: Pollock, Barnett Newman, Willem de Kooning, Mark Rothko, Lee Krasner, David Smith e grande elenco. Todos em pinturas, esculturas, desenhos, fotografias e filmes distribuídos em quatro andares, de longe a mais completa expo sobre o assunto. É “expressionante”.

No Met temos  Miró: The Dutch Interiors. São cinco telas, sendo três do pintor catalão e outras duas da era de ouro da arte holandesa que o  inspiraram a criar aquelas que são consideradas as obras mais vanguardistas de seu legado. A ideia é mostrar onde estão traços de Rembrandt e Van Dijk nas pinceladas do surrealista. Comece a treinar vendo a imagem aí de cima. Vai que você encontra…

Falando em Met, a instalação Big Bambu (falamos dela aqui, lembram? A tal estrutura de bambu feita no topo do museu, que a cada dia ganhava mais arestas e tal, uma coisa mutante e iterativa…) fica por lá até dia 31. Quem não viu, pleeeease, vá correndo. Lá de cima, uma nova perspectiva sobre Manhattan.

Para fechar, mais duas expôs para você se jogar: no Brooklyn Museum, a partir de sexta-feira, a deliciosa Seductive Subversion: Women Pop Artists vai mostrar que a pop art não foi feita apenas por homens. Nomes como Niki de Saint Phalle, Rosalyn Drexler, Marisol e Yayoi Kusama serão lembrados em uma ótima curadoria de 50 obras que ajudam a contar o lado B do movimento de Warhol. Por fim, na Neue Galerie, as esculturas do artista austro-alemão Franz Xaver Messerschmidt. Pense você em uma mini temporada de cinco dias, agorinha, em pleno outono. Mude a estação…

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Posted by: Chris Bicalho
11 AGO
01:49 PM

PROGRAMA FAMÍLIA


Nova York, mesmo em agosto, tem lá a sua vocação de hot spot. Enquanto Paris dorme profundamente nessa época do ano, a cidade that never sleeps nos desperta para uma ótima programação em seus museus e galerias. E o melhor, com atrações para todas as idades. Trocando em miúdos: para adultos e criOnças. Sim, porque arte pode ser a melhor diversão, uma nova direção para quem não permite, nem sob chuva de lágrimas, tardes full fat com os filhos em lanchonete com escorregador e palhacinho vestido de batata frita – como diz a música “é ilegal, é imoral e engorda”.


Recebi esta manhã um e-mail do pessoal do MoMA contando das boas para o mês, uma agenda ótima para quem estiver com a família em Manhattan por agora, a contar de amanhã. Educadores estarão espalhados por todo o museu, à frente de grupos de 10 a 15 crianças, explicando, tin-tin por tin-tin, as maravilhas do acervo, dando informações preciosas das obras e a vida de seus autores. Aula boa até para a gente, melhor do que cursinho particular de história da arte na casa da amiga.

Em seguida, as teachers pedem à turminha para desenhar e pintar o que viram, as telas ou esculturas que mais gostaram – acho que nessa hora não dá para participar, não, é melhor sentar no café. E no fim da tarde, para fechar em grande estilo veranista, um pic-nic é armado nos jardins do museu. Aí sim, dá para se juntar a eles. Afinal, quanto tempo você consegue ficar longe de seus filhos? E vai que um se revela, ali, no calor de Manhattan em pleno inferno de agosto, um artista plástico nato?

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Posted by: Chris Bicalho