Chris Bicalho
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02 FEV
10:13 AM

SONHOS DE CONSUMO

Abra os olhos e a carteira porque tem nova meca de consumo no circuito. Esqueça Paris,  forget Londres e Nova York, ciao Milão. Os ventos do pós-luxo sopram para o norte, onde custo-benefício é tendência há séculos, less is more é religião e a praticidade anda a serviço da humanidade desde a invenção da roda. O destino é Copenhagen, a mais stylish e cutting-edge das capitais europeias.

Lá, como em nenhum outro lugar, Deus e o design estão nas pequenas coisas, de um simples pacotinho de batata frita a mais confortável das poltronas, criadas por algum talento recém-achado na Stroget. E é isso que atrai, além do povo mais easygoing (e lindo, embora seja de uma homogeneidade curiosa, parece feitos em série) que se tem notícia e uma vida outdoors contagiante –  de junho a agosto.

Outro ponto a favor: a gastronomia nórdica está nas cabeças (e nas bocas) da turma gourmet. Recentemente, o restaurante Noma, do chef René Redzepi, foi eleito o melhor do mundo pela crítica internacional. Mas não se prenda e ele, pois qualquer portinha nas cercanias serve excelente comida, leve e saudável, inventiva e longe do lugar comum. E foi essa a receita que chamou pra perto gente boa, gente nova, gente atenta e ávida por novidades que viaja o mundo atrás de um veneno antimonotonia. Encontraram em Copenhagen o antídoto para driblar a mesmice que tomou o mundo de assalto.

Aqui, algumas dicas infalíveis para você se apaixonar de vez pelo danish way of life

One-stop design shopping: Illums Bolighus (illumsbolighus.com)

Paraíso do mobiliário dinamarquês, com peças de Arne Jacobsen e Georg Jensen + designers (ainda) não conhecidos pelo grande público. Destaque para as coat hangers da Morfo, as cerâmicas de Louise Campbell e os utensílios para cozinha da Skagerak.

High fashion: Paris Texas (paristexas.dk) e Rue Verte (rueverte.dk)

Não, você não vai a Copenhagen para comprar Lanvin e McQueen, certo? Mas fuçar um bocadinho as boutiques da Stroget, a rua principal, é uma delícia. Ainda mais porque o gosto das dinamarquesas é beeem diferente do nosso – elas gostam de proporções mais secas e cores sóbrias, por isso não se espante em encontrar maravilhas perdidas de Helmut Lang (ainda tem!), Commes des Garçons, Alexander Wang e Chrissie Morris nas araras da Paris Texas e da Rue Vert.


Danish gourmets: Kransekagehuset Summerbird (kransekaghuset.net) e Noma (noma.dk)

Toda cidade tem a sua patisserie. Assim como Paris tem a Pierre Hermé, Copenhagen tem a Kranseka… enfim, essa deliciosa lojinha de nome impronunciável e visitinha indispensável. Prove tudo, principalmente as “bolinhas de neve” feitas de chocolate e marzipan. Bem, sobre o Noma já falamos aqui. Sobre a mesa, iguarias inesperadas regionais, como o boi almiscarado da Groenlândia, seiva de bétulas dinamarquesas (que só florescem 20 dias por ano) e lagostins das Ilhas Faro. Tudo servido à moda nórdica, em porções sob medida para uma experiência gourmet minimalista.

Utensílios para tabletop: Anne Black (anneblack.com)

Anne Black é das mais sofisticadas designers da cidade e suas cerâmicas traduzem o real espírito danish: formas simples, ideias úteis e uma pitadinha de humor aqui e acolá. Lindas de morrer as canecas e rings para prender guardanapo. Ótimos presentes para você e para a amiga super cool que acabou de casar.

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Posted by: Chris Bicalho
16 JAN
12:20 AM

LONDON 2012, POUSO AUTORIZADO

A poucos meses da Olimpíada, Londres está prontíssima para o grande encontro, sem atrasos e com tudo seguindo o mais rígido protocolo – it’s so british. The city that never dies apronta mais e mais em cada esquina: onde há um andaime há um projeto, assinadíssimo, arrojadíssimo, futuras referências que irão povoar, de gente e de ideias, áreas ainda pouco exploradas pelos londrinos e principalmente pelos viajantes que ainda sobrevoam apenas Chelsea e Mayfair.

Aconteceu com East London há uns bons anos, agora a marcha se dá para o sul, onde a turma empreendedora pretende levar ótimos restaurantes, clubs, bares e, claro, hotéis para lá, lá onde Clapham, Brixton e arredores despertam de um sonho working class que já não combina em nada com a eterna capital do mundo. Pois bem, na onda de revitalização um hotel bárbaro acaba de abrir suas portas, na instant cool vizinhança de Battersea.

Inaugurado em novembro, o Verta Hotel não pousou no Southbank por acaso: aproveitou-se do fato de o heliponto de Londres estar ali do lado para, já de cara, apresentar aos hóspedes seu primeiro diferencial: transfer do aeroporto de… helicóptero. Os atrativos não param aí, não: o décor é uma deliciosa combinação de old-war glamour com clássicos do mobiliário inglês e elementos modernistas aliados a ícones do design contemporâneo. É estilo demais, um perigo nas mãos erradas. Mas aqui a coisa funciona, e como.

Os quartos, o lobby, restaurantes, bar, spa e tudo mais são uma viagem aos bons tempos da Europa aristocrática e aventureira. Tem no ar um clima meio pré-Revolução Industrial, às vezes Bauhaus. Tem também um flerte seriíssimo com a era de ouro da aviação, lá no comecinho do século 20. Você vai perceber assim que cruzar o lobby. Aperte os cintos e relaxe logo a seguir. E o Tâmisa, logo ali, correndo ao pé do edifício que já se impõe no skyline, torna tudo ainda mais anacrônico – ou atemporal, depende da vista da sua suíte. Mas todas tem, a vista.

Chamá-lo de hotel boutique seria simplista demais, assim como citá-lo com um cinco estrelas. É mais, muito mais que isso. É hotelaria post modern na veia, equilíbrio perfeito entre o que esperamos da vida longe de casa (um hotel com cara de casa) e o que fazemos a partir daí: do not disturb. At all. E queremos mais: um ótimo restaurante – aqui tem; um bar para ver e ser visto – aqui tem; um spa milagroso com terapias nunca antes vistas – aqui tem. Obras de arte por todos os lados – aqui tem!!! E o que tem mais? Vagas. O que mais você precisa? Ah, sim, as coordenadas para chegar. Anote aí: Sat Nav Ref: SW11 3RP.

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Posted by: Chris Bicalho
11 JAN
12:14 PM

LOS ANGELES TIMES

Rodar o mundo de expo em expo, em cada cidade um super museu com uma super atração. Já pensou que maravilha? Tomei isso como resolução para o ano que acaba de começar, e fica a dica para quem deseja acompanhar a programação que já está a mil. E foi dada a largada para a temporada 2012 com o incrível festival Pacific Standard Time, em Los Angeles.

“The Back Hollywood” (Ed Ruscha, 1977)

De 19 a 29 de janeiro, a maior e mais completa retrospectiva sobre a cena artística de LA a partir do pós-guerra, um who’s who certeiro da turma que transformou a Califórnia num playground de experimentações entre 1945 e 1980 (aliás, a história do movimento que colocou LA na rota artsy está no livro “Rebels in Paradise”, de Hunter Drohojowska-Philp).

“A Bigger Splash” (David Hockney, 1967)

Durante 11 dias, remakes de performances e apresentações de teatro experimental que entraram para a história da contracultura americana, além de exposições do acervo contemporâneo dos grandes museus da cidade (pense em Getty, MOCA…) + shows em arenas montadas ao ar livre, projeções de vídeo e galerias abertas 24 for 7. Tem que ir, tem que ver.

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Posted by: Chris Bicalho
04 JAN
01:26 PM

ODYSSEY 2020

O que será o futuro da hotelaria quando o presente parece estar tão lá na frente que fica difícil imaginar se ainda há algo de novo para se inventar. Já se viu de tudo, do design ao boutique, do resort ao lodge; já se ofereceu de tudo, de private butler a earlies e lates checks in and outs da vida + caprichos nos quartos para hóspedes que adoram aquela intimidade com o concierge – derretem-se quando ouvem “o de sempre, senhor?”.

Sem desacreditar na capacidade do segmento de se reinventar a cada instante, sabendo que o céu é o limite quando a ordem é fidelizar viajantes que não param quietos em casa, fica a pergunta: como vai ser daqui para frente, quando o mundo já não se satisfaz com uma simples garrafa de champagne em sinal de boas-vindas?

É o que a fábrica de tendências Fast Future, da Inglaterra, acaba de “prever”. A turma lançou na web um ótimo dossiê, intitulado “Hotels 2020: Beyond Segmentation”, onde apresenta o resultado de uma pesquisa que aponta os próximos desejos de hóspedes high end para daqui a dez anos, quando todos esperam que, entre outros sonhos, hóspedes possam customizar sua estadia do início ao fim, escolher os serviços oferecidos pelo hotel e deduzir do valor das diárias aquilo que não for usar.

E querem mais: que redes hoteleiras tradicionais ofereçam uma “frota” de endereços low-budget para jovens de fino trato e (ainda) pouco dinheiro no bolso – para fidelização, saca? Um sonho possível e plausível, você há de concordar. E esperar pelos ventos de mudança. Just for a change. E você achando que a turma estava pensando mesmo em dormir numa bolha voadora ou passar o fim de semana tomando banho de lua na praia espacial de Richard Branson?

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Posted by: Chris Bicalho