Chris Bicalho
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29 JUL
11:48 AM

GOD SAVE THE QUEEN

Fashionistas, atenção redobrada ao desembarcar em Londres. Look left, look right e vamos que vamos até a Saatchi Gallery, que abriu na última quarta-feira imperdível exposição de fotografias de Kate Moss por Mario Testino. “Kate Who?” mostra o lado mais pessoal da supertop, com imagens não apenas de campanhas, mas de sua rotina, louca e solitária, familiar e perdulária – retrato de uma cultura very british, afinal Kate é subproduto dela e a cara da Inglaterra de hoje.

E ninguém melhor que Testino para registrar, com a lente da verdade, o mundo interior de Kate. Amigo e confidente, sua relação com a musa já foi comparada com as histórias entre Irving Penn e Lisa Fonsagrives ou Jean Shrimpton e David Bailey, mas neste caso não se trata de uma história de amor convencional. Com a palavra, Mario: “Kate representa o tipo máximo de mulher, um ícone do nosso tempo. Não é só uma imagem de beleza, mas um estilo de vida, uma atitude. Ela transcende a noção da modelo que adota um look ou um estilo de cabelo. Ela representa um mundo, todo um modo de ser, de viver, num momento em que tudo se comunica à escala mundial e sem restrições”.

Esta é a segunda retrospectiva de uma modelo já realizada na história. A primeira? Twiggy, for sure. E se Kate é hoje tudo aquilo que Twiggy foi na década de 60, nada mais justo que homenageá-la com uma mostra digna de museu. A exposição coincide com o lançamento de “Kate Moss by Mario Testino”, livro de edição limitadíssima com seleção de fotos de Kate tiradas por ele. São 100 imagens inéditas em P&B, dos backstages do mundo couture a uma simples parada numa apagada lanchonete de fish and chips de Croydon – mas que se enche de luz com a presença de Kate, a mulher que vale por mil flashes. Delícia de expo. Must go. Em cartaz até fim de agosto.

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Posted by: Chris Bicalho
28 JUL
12:41 AM

UM AMERICANO EM PARIS

O hype em Paris ou nasce das mãos do grupo Costes ou vem da cabeça de Alexandre Allard, dono de, entre outros negócios, da maison Balmain, dos novíssimos Hôtel Pourtalès e Royal Monceau, o antigo elefante branco da Avenue Hoch reformado sob a batuta de Philippe Starck. Pois bem, nem um nem outro. A boa nova – não tão nova assim, vem de maio seu abrir de portas – é o restô da boutique de Ralph Lauren em Saint-Germain-des-Près, endereço (ainda) pouco explorado pelos fashionistas selvagens de passagem pela île. Não sei se por desconhecer ou por não querer saber, mas fato é que a turma continua no circuito La Societé-Matignon, sem atentar para o que acontece de bom a poucas quadras dali. Plus ça change, plus c’est la même chose?

Como tudo criado por Mr. Lauren, o Ralph’s brinca o tempo todo com a american beauty da aristocracia da costa leste, vai da Madison aos Hamptons no mesmo jogo de mesa, da estampa ao guardanapo. É chique, simples e direto como manda a palavra. Salões internos são decorados de maneira super clever, com elementos ingleses e americanos, town & country e uma leve brisa da bourgeoisie bohême francesa. E o jardim, ah, o jardim é um convite a happy hour, para tardes de verão à sombra das roseiras e heras que escorrem pelos balcões. Ali a temperatura está no limite do indescritível, ideal para uma temporada de calor que chega prometendo derrubar qualquer look.

Ça va, ça marche, a comida é um pout-pourri do melhor (alguns podem achar do pior) da comfort food made in USA. Pense em burgers, burgers e burgers. Mas não “qualqueres”. A carne é hormone-free e vem diretamente do rancho de Ralph Lauren, no Colorado. E tem variações com atum, peru, frango e opções veggie, todos com pão artesanal feitos pelo chef Stephane D’Aboville, importado do Le Bristol depois de um curso intensivo com Danny Meyer, o rei dos burgers de Nova York. Mas o menu também reserva comidinhas para ladies who lunch, como salmão grelhado, verduras fresquíssimas de Santa Bárbara + salada de queijo de cabra com torta de caranguejo e sopa de ervilha com crème fraîche. É para comer sem culpa, art de vivre como nos tempos em que se pedia sobremesa. E não hesite em ceder à tentação: de joelhos, prove a carrot cake – se não for  a única, certamente a melhor da Paris.

Ralph’s, 173 Boulevard Saint-Germain, tel +33 1 44 77 76 00.

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Posted by: Chris Bicalho
27 JUL
11:50 AM

TALK OF THE TOWN


Vem do ground floor o ponto alto do verão nova-iorquino. Para low profiles em geral que não perdem o DNA high maintenance, para quem quer variar e descer do topo da SoHo House, Boom Boom Room ou Donald Trump Tower, eis o lugar para se estar agora, com ar-condicionado operando a todo vapor: The Lion, restaurante no West Village inaugurado em maio e desde então hot spot de jornalistas e estilistas – por enquanto ainda fora do roteiro dos turistas meio passistas, ensaístas de uma vida upper easter que, vamos combinar, já não é lá essas coisas.

Quem comanda a casa é ninguém mais que Graydon Carter, editor da Vanity Fair, a maior bússola da vida cultural de Manhattan. Seguir sua direção é encontrar o caminho da felicidade, pode apostar. E a casa tem a sua cara, decorada pelo trio Meg Sharpe, Dan Mazzarini e Brian Humphrey, em estilo meio taverna, meio ‘Salon de Paris’, com salões de jantar fantasiados de biblioteca e delicatessen.

Nas paredes, antiques e telas de Basquiat + um incrível portrait de Andy Warhol clicado por David LaChapelle. Sim, senhores, um cenário de abrir o apetite. E se a fome é grande, ótimo, porque aqui não tem fusion, nouvelle ou molecular. A mesa aqui é farta, deliciosa, simples e direta. Criações do chef John DeLucie, do Waverly Inn, que trouxe de lá o melhor da cozinha “clubhouse”. Então combinamos assim: da próxima vez que quiser ver e ser visto, pule da Monkey House diretamente para o Lion. Corra para lá, como um guepardo. Ou pantera. Fica ali na 62 West Ninth St, entre a Quinta e a Sixth Avenue.

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Posted by: Chris Bicalho
26 JUL
04:33 PM

ENTRE NA DANÇA

Se você entende como coreografia um simples cair e levantar do chão esta dica é para você. Ponto alto do verão berlinense, o Tanz im August é o maior festival de balé contemporâneo da Alemanha, onde fãs de Pina Bausch se reúnem ao ar livre e nos teatros mais lindos que há para contemplar (e não assistir) espetáculos das grandes companhias europeias de dança. Bailarinos, músicos, instrumentos e corpos afinados dividem o palco num frenesi minimalista e cheio de mensagens subliminares. Não se preocupe em entender, apenas em se entreter. Afinal, a modernidade é de uma subjetividade…

Tanz im August vai de 19 de agosto a 3 de setembro, mas é bom se adiantar porque Berlim anda mais do que na moda e, ao contrário de Paris, agosto é um mês delicioso para andar pela cidade, cheia de gente bacana e ótimas exposições, como a de Frida Kahlo, no Martin-Gropius-Bau. Geralmente a temperatura não passa dos 30 – se bem que depois que os termômetros marcaram 37 em Moscou, ontem ou anteontem, não duvido que o sol também dê uma castigada na capital alemã. Caso aconteça, dê-se um banho de água fria em praça pública e se alguém intervir diga que você está fazendo uma homenagem à cena de “Flashdance”. Vai colar, já que em Berlim todo mundo é artista hoje em dia…

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Posted by: Chris Bicalho